Idademidiano em Lisboa

É necessário regulamentar os meios de comunicação no Brasil? Em que medida pode-se esperar isenção e neutralidade dos grandes veículos de massa? Quais são os impactos das novas tecnologias na democratização e difusão da informação? É justificável a divulgação desmedida de imagens do cadáver do ex-ditador líbio, Muammar al-Kadafi? Fui aluno do idade mídia no ano de 2007. Sempre fui interessado em entender o mundo que me rodeia e na forma pela qual eu conheço este universo. Apesar de saber que era um aluno de humanas, não sabia bem qual curso universitário gostaria de fazer após o colégio (dúvida que até hoje permanece). Jornalismo era uma opção muito convidativa. Logo, fez todo o sentido me inscrever no projeto Idade Mídia.

Minha experiência no curso foi riquíssima. Ter contato direto com os diferentes canais de comunicação, seja tradicionais ou não, através de visitas, conversas com profissionais do ramo, ou workshops, forneceu uma bagagem de vida de peso. Agregou-se muito valor na minha formação na medida em que, para além de se ficar apenas na teoria, foi preciso por a mão na massa e produzir comunicação e informação concretamente. O aluno ganha um novo olhar sobre tudo o que ele recebe e produz. É induzido a pensar sobre assuntos do cotidiano sobre os quais até então não tinha prestado muita atenção. É convidado a sair de uma posição de comodidade, para pensar e refletir sobre o que é a informação hoje, quais os limites de sua neutralidade e propagação e o importante valor de se ter uma opinião. E isso, no ensino médio, não é pouco. Eu não hesito em recomendar a qualquer estudante que faça o curso. Mesmo que você não queira seguir na área de jornalismo. Ter uma posição crítica sobre aquilo que você lê, ouve ou assiste (e mesmo, atualmente, curte ou twitta) é de muita importância, valendo muito a pena entender, pelo menos um pouco, como que todo esse caos de informação que nos cerca é criado.

Além disso, destaco ainda as pessoas que conheci durante este percurso. Isto porque, estive rodeado de gente muito interessante. Todos estão ali unidos de certa forma pelo mesmo interesse na mídia e, entretanto, cada um traz um ingrediente diferente nesta busca. Cada pessoa, seja interessada em artes, esportes, política, meios alternativos e comunitários de comunicação, é uma tonalidade diferente para o caldeirão que é o Idade Mídia e a revista final que produzida todo ano. Conversando com o companheiro ao lado você está sempre sujeito a ser surpreendido com um mundo novo. E, acompanhando o trabalho de todos os anos, está sempre presente o Alê, que é uma pessoa formidável, muito legal mesmo de conhecer. O seu interesse em educação e comunicação é empolgante. E, esteja certo, ele vai querer conhecê-lo e vai tirar o melhor de cada aluno. Sei que cada experiência é individual, e que cada grupo é muito diferente dos outros, mas pelo menos no meu caso, participar deste projeto envolveu também uma boa dose de auto-descoberta e reflexão sobre minha identidade. De qualquer maneira, acho impossível sair sem ter sido transformado de alguma forma pelo Idade Mídia.

 

Fernando Ramon Machado de Andrade

Lisboa, 31 de outubro de 2011

 

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